2017-10-24

Prémio Fluviário Jovem Cientista do Ano para investigador da Universidade de Lisboa

Mora, Évora, 22 mar (Lusa) – O investigador Bruno Martins Carreira, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, venceu o 7.º Prémio Fluviário de Mora – Jovem Cientista do Ano, relativo a 2016, revelou hoje à agência Lusa fonte da organização.


O prémio, instituído pelo Fluviário de Mora, no distrito de Évora, distingue anualmente um aluno (de licenciatura, mestrado ou doutoramento) que publique, como primeiro autor e no ano do concurso, um artigo sobre conservação e biodiversidade de recursos aquáticos continentais (estuários e rios).


O vencedor desta 7.ª edição do concurso era aluno do doutoramento em Biologia da Universidade de Lisboa, quando se candidatou, e, agora, é aluno de pós-doutoramento e investigador do cE3c — Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, na mesma instituição.


A bióloga responsável pelo Fluviário de Mora, Luísa Sousa, disse hoje à Lusa que Bruno Carreira conquistou o galardão com o artigo científico “Warm vegetarians? Heat waves and diet shifts in tadpoles”, publicado na revista norte-americana Ecology e assinado por mais investigadores.


“O trabalho aborda os impactos das ondas de calor em anfíbios”, resumiu a bióloga, referindo que o investigador vai receber o prémio, no valor de 500 euros, na sexta-feira, no âmbito das comemorações do 10.º aniversário do Fluviário.


Contactado hoje pela Lusa, Bruno Carreira disse estar “orgulhoso e feliz” pela distinção, que constitui “um reconhecimento e apreciação do trabalho” que realizou, com outros investigadores, no âmbito do seu doutoramento.


O estudo avaliou o possível impacto das ondas de calor, causadas pelas alterações climáticas, nas preferências alimentares de animais ectotérmicos, ou seja, de sangue frio.


Os investigadores do cE3c, em colaboração com a Universidade de Uppsala, na Suécia, analisaram a rã-de-focinho-pontiagudo, a rela ou rã-arborícola-europeia e a rela-meridional, três espécies de anfíbios existentes em Portugal, duas delas recolhidas em Grândola, no Alentejo, em charcos temporários mediterrânicos.


“Tendo estudado quais as condições nos charcos e as temperaturas que aconteciam durante ondas de calor, pegámos em girinos dessas três espécies e, em laboratório, submetê-los a ondas de calor, para vermos como é que isso afetava a sua dieta alimentar”, explicou o investigador.


O “resultado mais importante”, destacou, foi o de terem verificado que, “durante as ondas de calor, estas espécies respondem com o aumento da sua assimilação de matéria vegetal”.


O aumento da temperatura da água, precisou, leva a que estes anfíbios, que “são omnívoros, ou seja, alimentam-se de vegetação e de insetos subaquáticos”, adotem “uma dieta mais herbívora e mais vegetariana”.


“A importância disto é que, perante um cenário de aquecimento global, todos estes animais vão, gradualmente, tornar-se mais herbívoros, o que vai ter implicações sérias para os ecossistemas, porque vai provocar desequilíbrios e alterações na cadeia alimentar”, alertou.


Segundo Bruno Carreira, as razões que levam os animais a estas mudanças alimentares não foram analisadas e poderão motivar nova investigação, caso os investigadores consigam “aceder a financiamento”, mas a alteração na dieta, em função da temperatura da água, é uma “nova descoberta” e “um padrão nunca antes descrito”.


“Com este estudo, estamos nas três ou quatro equipas mundiais que, entre 2015 e 2016, verificaram este efeito, em distintos animais de sangue frio, e somos a primeira no mundo a descobrir que isto ocorre em vertebrados”, congratulou-se.


O artigo do vencedor do Prémio Jovem Cientista do Ano 2016 está disponível em onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ecy.1541/abstract.


RRL (EA) // MLM


Lusa/Fim

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