2017-08-17

Cinema em tempos de Verão

Nuno Reis

A época é de calor e ainda que as férias não estejam planeadas para as próximas semanas as virtualidades de trabalhar em Julho e Agosto representam um retemperador bálsamo que desde há uns anos se não desperdiça. Nesta altura, o trânsito em Lisboa parece finalmente acalmar, particularmente no mês de Agosto, e torna-se mais fácil chegar a qualquer lado… com excepção das praias próximas reservadas a quem já está no seu merecido gozo de férias!

Ao princípio de noite o tempo quente é um convite à esplanada mas também os centros comerciais, mais vazios, propiciam uma passagem pelas salas de cinema.

Foi a curiosidade da “árvore genealógica” que me levou a ver “Paris pode esperar”, de Eleanor Coppola. Afinal, se a filha, Sofia, já tinha demonstrado uma especial sensibilidade ao brindar-nos com peças tão diferentes como “Lost in translation”, “Maria Antonieta”, “Algures” ou “Virgens suicidas” ; se o marido, Francis Ford, já tinha, entre os seus inúmeros Óscares, cometido a proeza de conseguir realizar uma sequela melhor que o soberbo original que lhe deu origem, refiro-me ao “O Padrinho 2” que, pessoalmente, considero um filme ainda mais genial que o primeiro da saga… porque não ir conhecer o trabalho da matriarca Eleanor ?!? Não dei o tempo por mal empregue. Simpática história, há quem diga que com traços autobiográficos do casamento de Eleanor e Francis Ford, um cenário do melhor, com uma viagem de carro por algumas das belezas que França tem, nomeadamente, com um mini-roteiro grastronómico de fazer salivar, oportunidade ainda para rever a intemporal Diane Lane no papel de actriz principal, e, no final, dou por mim a pensar naquela célebre tirada da saga “Guerra das Estrelas”: a Força é poderosa n(est)a família! Por curiosidade, para quem ainda não achou suficiente para ilustrar o velho ditado popular “filho de peixe sabe nadar” , acrescenta-se que os genes Coppola “correm” ainda na neta, Gia, no sobrinho Nicolas Cage ou na cunhada Talia Shire (irmã de Francis Ford).

Mas porque de diferentes géneros e preferências este “cartaz de Verão” se vai construindo termino com outras duas recomendações, ambas com a segunda guerra Mundial por pano de fundo: “Churchill” e “Dunkirk”. A primeira versa sobre a vida do grande estadista Winston Churchill nos dias prévios ao desembarque Aliado na Normandia. A relação dele com a esposa Clementine, a angústia relativamente à incerteza dessa operação militar, o passado militar do Estadista marcado pela batalha de Gallipoli em que pereceram centenas de milhar de pessoas na primeira Guerra Mundial, a relação crispada com as chefias militares, nomeadamente com Montgomery, a forma como começava a lidar com a velhice, tudo temas que dão corpo a um excelente filme.

Já em “Dunkirk”, também baseado em factos reais, nomeadamente a grande operação de resgate aos militares britânicos e franceses encurralados em Dunquerque pelos panzer alemães. Mais uma excelente obra realizada pelo grande Christopher Nolan, que depois de filmes como “Memento” ou a própria saga do “Cavaleiro das Trevas”, para os apreciadores do género, confirma aqui as suas credenciais de grande realizador.

E assim, para quem gostar de cinema, não estiver ainda de férias, ou a banhos na praia, e quiser passar um tempinho mais relaxado sem os picos de afluência que noutras épocas do ano enchem as salas, aqui ficam três boas sugestões!

Sobre Nuno Reis 11 artigos
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