2017-08-17

Porquê o Porto?

Miguel Corte Real

Nas últimas semanas muito se debateu o tema da candidatura de Portugal a sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA). O Governo começou por “puxar” para Lisboa, por “facilitismo nacional instalado” mas, após ampla discussão, onde o Porto e as suas principais figuras políticas mostraram um consenso há muito não visto, a escolha acabou por ser alterada.

Fiquei contente com o resultado? Claro que sim, não apenas como portuense, mas sobretudo como Português, por não ter duvidas que é esta a melhor solução.

Não digo isto pelas condições especiais que se podem criar para os receber, pois isso também outras cidades o poderão fazer. Digo, porque o Porto é uma cidade muito acolhedora, que gosta e sabe receber , com séculos de história, onde o seu principal património sempre foi marcado pelas pessoas, pelo seu carácter (“Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta”) e pela sua abertura ao mundo.

A origem do seu nome “Portus Cale” (que mais tarde dá origem ao nome de Portugal),mostra mesmo isso: “Portus” significa Porto, e “Cale” designa uma região.

Está na sua génese ser uma cidade de chegadas e partidas, que acolhe os que vem de longe e que cá pretendem acrescentar valor. Uma cidade que faz, como nenhuma outra, com que todos se sintam verdadeiramente em casa.

Portugal como pais geograficamente pequeno que é, sempre teve que ser mais astuto, e ser capaz de aproveitar oportunidades. Foi assim no caso de um dos mais importantes produtos nacionais, o Vinho do Porto:

No século XVII, o governo francês, tomou uma série de medidas para restringir a importação de produtos de Inglaterra. Como retaliação a essa medida a Inglaterra aumentou impostos, e mais tarde proibiu a importação de vinhos franceses. Com isso os Britânicos viram-se obrigados a procurar soluções alternativas para suprir as necessidades de consumo.  Os comerciantes Ingleses que se encontravam instalados em Viana do Castelo, viram nisto uma enorme oportunidade, e na procura de uma região Portuguesa com capacidade de produzir vinhos suficientemente “estáveis” para aguentar a viagem de barco, rápidamente se focaram no Alto Douro. Este facto levou ao estabelecimento de uma enorme comunidade estrangeira no Porto, cidade que se torna o centro logístico deste novo e importante negócio, e que rápidamente se adapta e o acolhe com toda a hospitalidade.  

Dai até hoje é a história que conhecemos. Da oportunidade gerada por uma alteração politica, o Porto soube receber e criar condições, para que em conjunto Portugueses e Ingleses, criassem um produto global, que transporta a cidade e o país para todo o mundo, enchendo-nos de orgulho e contribuindo decisivamente para a balança de exportações da economia Portuguesa.

Portanto, tal como no passado também hoje seremos capazes de aproveitar a oportunidade.

Eles que venham, que nós cá estaremos para os receber, e escrever (mais uma) história de sucesso.

 

Comentários ou sugestões: miguelcortereal@gmail.com

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