2017-10-24

Lisboa está melhor?

João Maria Condeixa

Lisboa está muito melhor, os Lisboetas é que não querem ver.

Graças a Fernando Medina, os Lisboetas têm hoje mais tempo para estar com a família. No carro. Nas filas intermináveis que Lisboa passou a ter a qualquer hora e que permitem a muitas famílias conviver no conforto do seu automóvel. Uma medida promotora da coesão familiar a que ninguém fica indiferente. Seguem-se jogos de tabuleiro produzidos pela autarquia para diversão no trânsito.

Depois, há esses jardins da babilónia em formato 16:9. Verdadeiras tiras intermináveis de relva que percorrem em paralelo com as ciclovias desertas duas das principais avenidas de Lisboa. Sem elas Lisboa não respirava nem havia um espaço verde onde descansar o olhar. Um pouco mais de largura e seriamos a primeira capital europeia com um circuito de minigolfe integrado. Mas fica para a próxima.

Depois a equidade, sempre a equidade. Lisboa é a capital mais equalitária da OCDE: não há obra em Lisboa que seja discriminatória e não afete a todos por igual.  Se atrapalha a Sul, arranja-se uma a Norte que faça o mesmo. Se atrapalha pobres, atrapalha ricos. Não pode é haver ponto em Lisboa livre de taipais, pó das obras, lancis novos ou pinturas de fresco.

Pinturas essas, que são outro tópico que veio melhorar substancialmente Lisboa. Agora há aquilo a que se chama sinalização horizontal, que mais não são do que cores espalhadas pelas ruas e que ninguém sabe descodificar. Há traços a verde, azul, vermelho e amarelo a dar alegria à cidade. Não fosse o fundo todo negro alcatrão e teríamos um quadro do Mondrian no chão de Lisboa. Pode assustar no trânsito mas fica bonito.

Entretanto o estacionamento melhorou substancialmente. Hoje qualquer lisboeta pode deixar o carro no meio do trânsito que passado umas horas ainda está tudo no mesmo sítio.

E nas ruas onde era possível estacionar, passámos a ter de o fazer em ambiente controlado, subterrâneo, longe das ofensas dos pombos, dos meliantes de rua e dos arrumadores de carros enfurecidos. E ainda ficamos com os bolsos mais leves.

Já nas ruas onde não era possível estacionar por falta de lugares, continuamos coerentes com o passado à procura de um lugar. Um dia havemos de o encontrar. Lisboa tem hoje menos lugares, tornando o estacionamento num bem raro com cotação indexada ao ouro.

E por fim os transportes. Estão mais apinhados estimulando ao contacto físico e ao networking, promovendo a coesão social ao limite máximo. Passam com o atraso devido para os conseguirmos apanhar sem problemas e garantem que hoje em Lisboa só vive isolado quem quer. Numa estação de metro ou num autocarro, se couber, tem sempre companhia. Podem não ser a melhor rede de transportes, mas são um óptimo local para conhecer pessoas.

Ou seja, quem tem memória sabe que Lisboa não estava assim há 9 meses ou há um ano. Quem tem memória sabe que isto é obra de Fernando Medina e é o resultado de um projeto de mobilidade na capital começado pelo telhado. Quem tem memória tem de lhe dar um prémio.

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