2017-11-23

Uma semana para lembrar

A semana que passou marcará a nossa historia enquanto sociedade, democracia e Estado.

O relatório sobre os incêndios de Pedrogão não deixa pedra sobre pedra.

Incompetência, falta de profissionalismo, falta de comando e liderança, intervenientes mal preparados, amadorismo, são alguns dos múltiplos adjetivos que podemos retirar do relatório com que a comissão independente mimoseia todo o sistema.

A lengalenga de que foram situações meteorológicas extraordinárias e um sistema de comunicações defeituoso que causaram a morte a mais de 60 cidadãos Portugueses, terminou e os responsáveis estão identificados. O sistema de proteção civil não protegeu, não funcionou, falhou em toda a linha!

No entanto, ao mesmo tempo que conhecíamos o relatório, uma determinada comunicação social, iniciou uma campanha de modelação de consciências procurando passar a mensagem que mais importante que encontrar responsáveis é evitar que a tragédia se repita.

É tempo de dizer basta.

Basta, porque é imprescindível apontar os responsáveis e fazer funcionar os mecanismos legais para que a sua responsabilização seja efetiva. Ignorar a responsabilização é desrespeitar as vitimas. Ficaremos então à espera das consequências operacionais e Politicas que tem que ser assacadas a quem dirigiu e interveio nesta tragédia.

O outro grande tema da semana é a acusação do caso Marquês.

Finalmente, há acusação e envolve várias figuras da Politica, dos negócios e da sociedade. O que ficamos a saber da acusação é arrepiante pois estes indivíduos atuando como uma quadrilha de malfeitores ao melhor estilo Napolitano fizeram do Estado e das suas instituições gato-sapato e pelo caminho, dizimaram empresas de grande importância como a PT e o BES.

Durante algum tempo temeu-se que todo o processo fosse um fracasso e nesse caso seria o sistema judicial a ser dizimado. Agora, independentemente da condenação ou não dos acusados e de todos os atropelos que o processo já teve, pelo menos há matéria para dirimir em tribunal.

E, tal como no relatório de Pedrogão, a modelação de consciências, através da comunicação social e da internet já começou.

Desde logo, insistindo que apesar da dimensão da acusação, tudo levou muito tempo, os acusados foram incomodados e não poderia ter sido assim. Será que se fosse de outra maneira, haveria acusação? Será que essa comunicação social preferiria o fracasso do processo? Ou será aquela que ignorou a licenciatura do individuo, o caso Freeport e criticou Passos Coelho por ter dito não a Salgado? Ou será esta a comunicação social que assistiu alegremente ao afastamento de Manuela Moura Guedes quando era incómoda, teceu rasgados elogios ao melhor CEO da Europa e do Mundo e não esmiuçou os motivos que impediram a OPA da SONAE sobre a PT?

Há muito que sabemos esta quadrilha tinha um esquema para dominar a comunicação social, formal e informal, e as principais estruturas do poder Politico e económico, mas… já podem libertar-se.

A “nova verdade” é que um esquema destes não pode ser responsabilidade de tão poucos, que toda a administração publica participou ou foi conivente com concursos aldrabados, decisões defensoras dos interessados e por isso há que fazer uma reflexão profunda, analisar as causas sem precipitações e, já agora, deixar a operação Marques cair no esquecimento.

Por outro lado, o silencio dos partidos políticos na Operação Marques é ensurdecedor.

Do BE e do PCP, sabemos que se fossem Políticos de “direita” eram logo condenados na fase de instrução e enviados para o Gulag respetivo. Nem o facto de também envolver o “grande capital” os motiva a uma palavra sequer. O que não faz querer continuar a lambuzar-se no pote do poder!

O PS, nada pode dizer. O “menino de ouro” afinal é de lata. Durante anos atacaram quem investigava, peregrinaram até Évora e defenderam a tese da cabala. Mas, sendo um partido estruturante da democracia e estando em causa o Estado, poderiam ter uma palavrinha nem que fosse pelo facto de o sistema judicial estar a funcionar.

Do PSD espera-se que encontre uma liderança que não tenha pejo em falar destas questões e assuma o compromisso de lutar contra todo e qualquer tipo de corrupção. A moralização da vida pública vale menos votos que descidas de impostos antes das eleições, mas faz de quem segue essa via DIGNOS Políticos.

Sobre Luis Matos 15 artigos

Member of Executive Board at Hospital da Prelada.

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